Comer carne vermelha pode causar câncer?
- CCONCO
- 19 de dez. de 2025
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A relação entre carne vermelha e câncer é um tema muito pesquisado cientificamente. E isso tem uma razão importante: o que comemos diariamente tem impacto direto na saúde, inclusive do trato gastrointestinal, especialmente no risco de desenvolvimento de câncer colorretal.

Segundo estudos da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC/OMS), carnes processadas como bacon, salsicha, presunto e linguiça são carcinogênicas para humanos e há evidências consistentes de aumento do risco de câncer colorretal. Já a carne vermelha não processada foi classificada como provavelmente carcinogênica, já que estudos populacionais mostram associação entre consumo elevado e risco aumentado do mesmo tipo de câncer.
Além disso, diretrizes atualizadas do World Cancer Research Fund (WCRF) e do American Institute for Cancer Research (AICR) recomendam limitar o consumo semanal de carne vermelha a 350–500 g por semana, e reduzir ao máximo o consumo de embutidos.
Esses dados, juntos, apontam para um fato essencial: não se trata de proibir, mas de equilibrar o consumo.
A forma de preparo faz diferença
É importante ressaltar que o risco não está apenas na quantidade de carne consumida, mas também no modo de preparo. Alguns cuidados simples fazem grande diferença:
Carnes na brasa ou churrasco: a carne preparada muito próxima da chama ou com partes queimadas pode formar compostos prejudiciais ao trato gastrointestinal. Por isso, prefira assar com fogo indireto, evite carbonizar e retire as partes queimadas;
Frituras: fritar em óleo quente por tempo prolongado aumenta a produção de substâncias indesejáveis. Priorize assados, grelhados ou cozimentos com pouca gordura;
Carnes processadas e embutidos: evitar ao máximo o consumo, pois esses alimentos têm relação direta com maior risco de câncer colorretal.
É possível consumir carne vermelha de forma segura?
Sim, a carne vermelha pode fazer parte de uma alimentação saudável, desde que consumida:
em moderação, dentro dos limites recomendados;
com métodos de preparo mais seguros;
como parte de um prato rico em vegetais, fibras e variedade alimentar;
intercalada com outras fontes de proteínas, como peixe, aves, ovos e leguminosas.
O problema maior está no consumo excessivo e diário, especialmente quando associado a uma dieta pobre em fibras e rica em alimentos ultraprocessados.
O câncer colorretal
O câncer colorretal está entre os mais frequentes no mundo. Fatores como sedentarismo, obesidade, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e alimentação inadequada estão diretamente relacionados ao risco. E entre os fatores alimentares, a ingestão de carne vermelha, principalmente a processada. Por isso, compreender esses fatores e evitá-los é fundamental para a prevenção.
Quando procurar um especialista?
Se você tem histórico familiar de câncer colorretal, alterações intestinais persistentes (diarreia/prisão de ventre), sangue nas fezes, cólicas ou desconforto abdominal ou a sensação de evacuação incompleta constantemente, marque uma avaliação com um médico especialista.
É importante lembrar que o câncer colorretal é silencioso no início e, por isso, a realização do exame de colonoscopia anualmente a partir dos 50 é a ferramental eficaz para o diagnóstico precoce, quando as chances de sucesso são muito maiores.



