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Além da cirrose: consumo de bebidas alcoólicas pode causar câncer no fígado?

  • CCONCO
  • 22 de out. de 2025
  • 4 min de leitura

Bebidas alcoólicas são legalizadas e consumidas há séculos pelas pessoas. Apesar disso, representam riscos importantes para a saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o consumo excessivo de álcool está relacionado a mais de 200 tipos diferentes de patologias, incluindo transtornos mentais, doenças cardiológicas, cirrose hepática e diversos tipos de câncer – entre eles, o câncer de fígado.


Além da cirrose: consumo de bebidas alcoólicas pode causar câncer no fígado?

 

Quando se questiona as pessoas sobre os males que o álcool provoca no fígado, a maioria lembra da cirrose. Entretanto, existe uma consequência ainda mais grave: o desenvolvimento do carcinoma hepatocelular, o tipo mais comum de câncer de fígado. Entender essa relação é fundamental para a prevenção e o cuidado com a saúde hepática.

 

Como o consumo de bebidas alcoólicas prejudica nosso fígado?

O fígado é um órgão vital e desempenha funções essenciais como remover toxinas do sangue, regular níveis de substâncias químicas, produzir a bile para digestão de gorduras, fabricar fatores de coagulação e armazenar açúcar que o corpo usa como energia. Quando ingerimos bebidas alcoólicas, é o fígado que metaboliza e elimina o álcool do organismo.

 

Nesse processo de metabolização, o etanol – o álcool mais comum em bebidas – é convertido em acetaldeído, uma substância química altamente tóxica e carcinogênica. Esse composto pode danificar o DNA das células hepáticas e promover o desenvolvimento de células cancerígenas.

 

Não existem medicações, suplementos ou fitoterápicos comprovadamente eficazes na prevenção dos danos hepáticos causados pelo álcool. Embora diversos produtos sejam divulgados como “protetores do fígado”, nenhum deles demonstrou benefício consistente em estudos científicos. Na metabolização do álcool pelo fígado, nenhum composto conhecido é capaz de neutralizar completamente os efeitos tóxicos. Assim, a única estratégia realmente eficaz para prevenir a lesão hepática relacionada ao álcool é evitar ou interromper o consumo dessa substância.

 

É importante destacar que o risco de câncer de fígado relacionado ao álcool não é igual para todos. Diversos fatores influenciam essa suscetibilidade individual: a quantidade de álcool consumida, a duração do consumo ao longo dos anos, a presença de outras doenças hepáticas (como hepatites B ou C crônicas e doença hepática associada a disfunção metabólica), condições genéticas (embora raras, como hemocromatose hereditária e deficiência de alfa-1 antitripsina), obesidade e o hábito de fumar (que também é fator de risco para câncer de fígado).

 

Não há um nível de ingestão considerado seguro para o fígado. O consumo diário, ainda que moderado (10-20 g de álcool, ex: 500 mL de cerveja ou 200 mL de vinho), pode causar lesão hepática, principalmente em indivíduos suscetíveis. Alguns estudos mostraram que o risco de desenvolvimento de cirrose e câncer de fígado aumenta exponencialmente de acordo com a dose e duração do consumo de álcool.

 

Da gordura à cirrose e ao câncer de fígado

O hábito de consumir álcool provoca em cascata uma série de eventos prejudiciais ao fígado. Primeiro, ocorre o acúmulo de gordura no órgão, condição conhecida como esteatose hepática ou "fígado gorduroso". Se o consumo exagerado continuar, essa condição pode evoluir para hepatite alcoólica, caracterizada por inflamação e dano celular progressivo.

 

Se o hábito de beber em excesso prosseguir, o fígado pode desenvolver cirrose, que constitui o estágio final da doença hepática alcoólica em que o tecido saudável é substituído por tecido cicatricial. A cirrose representa o maior fator de risco para o desenvolvimento do câncer de fígado. Aí está a relação entre o consumo de álcool e o câncer de fígado.

 

Além disso, mesmo quando o álcool não é a causa principal da cirrose, pacientes que mantêm o consumo apresentam maior risco de descompensação da doença hepática e de desenvolver carcinoma hepatocelular, refletindo o efeito sinérgico do álcool com outras condições hepáticas crônicas.

 

O consumo de álcool também pode comprometer o sistema imunológico. O álcool altera a resposta imune do corpo, tornando mais difícil para o organismo detectar e destruir células cancerígenas que estejam em desenvolvimento. Essa imunossupressão, combinada com a imunossupressão decorrente da cirrose, aumenta ainda mais o risco de progressão tumoral.

 

Impactos do consumo de bebidas alcoólicas vão além do fígado

A OMS classifica o álcool como um carcinógeno comprovado. Além do fígado, seu consumo está associado ao desenvolvimento de cânceres de boca, faringe, laringe, esôfago, mama, cólon e reto.


O consumo de álcool também aumenta o risco de doenças  não oncológicas.  No sistema cardiovascular, pode causar hipertensão, arritmias cardíacas e aumentar o risco de acidente vascular cerebral. O pâncreas pode desenvolver pancreatite, uma inflamação grave. No sistema nervoso pode provocar neuropatias e alterações cognitivas, além do risco de dependência química. Isso sem falar em acidentes de trânsito e episódios de violência em razão do descontrole de pessoas alcoolizadas.


Sinais de alerta do câncer de fígado

Infelizmente, não existem sinais precoces específicos de câncer de fígado. Quando surgem manifestações como dor abdominal, perda de peso inexplicável, náuseas, vômitos ou amarelamento da pele e dos olhos (icterícia), a doença frequentemente já está em estágio avançado, o que diminui as chances de sucesso do tratamento.


É recomendado que pessoas que já desenvolveram cirrose hepática – independentemente da causa – cessem o consumo de álcool completamente e façam acompanhamento médico regular com a realização de rastreamento de câncer de fígado com ultrassom e dosagem de alfafetoproteína a cada 6 meses. O objetivo é melhorar a saúde do fígado e detectar eventuais tumores ainda na fase precoce.

 

Pacientes diagnosticados com cirrose e/ou câncer de fígado devem parar imediatamente de consumir álcool, porque esse hábito pode piorar a função hepática, limitando as opções de tratamento, além de aumentar o risco de desenvolver outros tipos de câncer.

 

Cuide do seu fígado

A melhor estratégia contra o câncer de fígado relacionado ao álcool é a prevenção. Isso significa evitar o consumo excessivo ou diário de bebidas alcoólicas, manter um peso saudável e não fumar. Mesmo em pessoas que já desenvolveram algum grau de lesão de fígado, a interrupção do consumo de álcool pode estabilizar a condição e reduzir significativamente o risco de progressão para câncer.

 

Não há qualquer dúvida sobre a relação entre consumo excessivo de álcool e o desenvolvimento de câncer de fígado, em um processo que passa pela progressão da cirrose. Apesar de ser resiliente, seu fígado não é indestrutível. Portanto, é preciso adotar cuidados, como o de evitar o consumo de álcool, substância que traz diversos riscos para a saúde.

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Médico responsável: Dr. Héber Salvador de Castro Ribeiro  - CRM/SP 122924  /  RQE 94208
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